Hoje acordei com o espirito inundado por vontades. Abastecido pelo abafar de perpectiva tão tipico dos dependentes do álcool, das drogas e dos comprimidos, rascunhei uma declaração de propósitos a cumprir nos tempos que vêm. Aqui as apresento sem qualquer ordem cronológica ou de importância.
- Quero viver num solar à portuguesa no Marquês do Pombal. Terraplanar a estátua do mais desculpabilizado ditador da história, e usar o Parque Eduardo Sétimo como quintal, não sem antes expulsar todos os prostitutos masculinos para a cela do Carlos Cruz, uns metros mais acima.
- Quero o pessoal feio que estuda ou trabalha em assistência social, sociologia, filosofia, letras, engenharia informá¡tica, etc, a reflorestarem o pais, de modo a que ninguém os veja e todos lhes agradeçam.
- Quero a Manuela Ferreira Leite como porteira da Kapital porque para o melhor ou para o pior é assim que aquele estabelecimento vai ter o que merece.
- Quero mais árvores em Chelas e na Amadora e mais pretos em África.
- Quero cortar o cabelo do João Rolo à machadada.
- Quero e vou desatar à chapada aos próximos meninos que vir a passar em parada todos vestidos de igual como se fossem todos filhos dos mesmos pais com um estranho sentido de humor e recalcamentos da "Música no Coração".
- Quero os Malucos do Riso fora do ar e um tempo de antena em horário nobre em que escritores, produtores, actores, caracterizadores, técnicos de luz e câmara, meninos de recados, estafetas, e outro pessoal afecto ao programa, possa flagelar-se em rodinha num processo catártico de expiação pela deformação que causaram à sociedade portuguesa ao longo dos anos.
- Quero uma bomba no Estádio das Antas com adeptos e jogadores lá dentro.
- Quero uma autorização governamental para o Rui Reininho poder parar de cantar.
- Quero paz mundial e a morte do George Bush por ordem inversa de consequência.
- Quero porco preto para toda a gente.
- Quero fruta espanhola para dar aos porcos, e os porcos dos espanhois para adubar as nossas arvores de fruto.
- Quero o sindicato da Carris a levar às cavalitas de casa para o trabalho e do trabalho para o lar, os utentes que continuamente ficam a pé por causa das greves.
- Quero Haagen Daz para toda a gente, a começar por mim.
- Quero isto tudo, quero-o para ontem, e quero uma imperial de joelhos sem labidelas enquanto espero.