3 Ideias e um pouco mais a Sério
Hoje Sufrim vai ajudar você a ser feliz. Sufrim partilha com todos o segredo da felicidade. É... A Felicidade tem que ser segredo. A felicidade, como o dinheiro, só interessa porque nem todos a têm. Como dizia o ché da televisão, "o dinheiro é uma unidade de posse relativa". Você tem mais, Sufrim, ou outro mais pobre alguém, terá deter menos. E você gosta de ter dinheiro porque está um passo mais perto de ser homé rico, que é como dizer que tem mais que Sufrim e os outros que agora lhe chamam de chifrudo e filho da puta. Não porque você é rico, mas porque nósências não somos não. E a Felicidade é como o dinheiro. Mas você não pode comprar felicidade. Quando você pode comprar, você faz tudo nem que seja se vender. E puta é triste. Puta é triste porque o cliente quer vestir de colegial e ser espancado com régua de madeira, mas não deixa felicidade no tampo que tapa os gaveta da mesa de cabeceira. Você quer ser feliz e não sabe como. É segredo. Sufrim é feliz porque você não é. Sufrim é feliz porque você não sabe. Sufrim não vai contar nada pra você.
Caros concidadãos,
A nossa formosa e muy digna cidade de Lisboa não pode mais esperar por um Código dos Passeios. A falta de coordenação de trafego pedestre, os abusos e imposições dos veiculos motorizados, o desordenamento urbano e a desregulamentação contemplando os dejectos animais instalam o caos, a tensão é palpável e podemos estar a um passo de uma onda de motins ou mesmo de um golpe de estado autárquico que pinte as paredes do paço municipal a vermelho de tomate e amarelo d’ovo. Por outras palavras, as velhas andam devagar e tapam as fugas com sacos e tapetes com olhos puxados por trelas, os carros e as camionetas estacionam em cima dos passeios, as ruas são estreitas como e sinuosas como as trompas de uma freira, e há merda por todo o lado. Basicamente é grande broche (isto na óptica de uma menina de liceu que sem saber muito bem como confunde um burro com uma chucha).
Partindo do principio. Os passeios foram criados para circulação pedestre. Quando os calceteiros, uma das mais ilustres tradições profissionais lisboetas (logo a seguir aos fadistas e bebâdos), se prostraram “de rodillas” sobre a lama e bateram pedra a pedra num mosaico a roçar as composições pontilhistas de Renoir, não esperavam por certo que a sua obra fosse profanada por carrinhos de rodas e de bebés. As vis crianças e os pérfidos inválidos obstroem os passos vigorosos de quem, por jorna preenchida, se desloca a passos largos. Se há algo que atenue a ofensa causada por estes prevaridicadores será a sua involuntária escassez. Algo de bem diverso acontece com aquelas a quem a sociedade convencionou chamar “velhas”. Tendo nas suas pernas um meio de transporte bamboleante e enferrujado que seria chumbado em qualquer inspecção de segurança (quer pessoal quer de responsabilidade civil), as “velhas”, cujos parabrisas tratam de enublar ainda mais uma visão defeituosa à partida, caminham por norma a velocidades inferiores ao minimo exigível e pelo centro da via sem tomar qualquer atenção aos restantes pedestres em circulação. A situação agrava-se tendo em conta o volume de carga que estes peões tranportam. Bengalas e chapeus de chuva, carrinhos e sacos de compras, corcundas, e pequenos roedores cruzados com tapetes em laboratório obstroem a passagem e põem em potencial perigo todos quantos se aproximam. Perante estas perturbações, os veiculos motorizados indevidamente estacionados sobre o passeio ocupam uma posição destacadamente inferior na escala de prioridades.
Apesar desta falta de coordenação de trafego pedestre constituir o ponto mais importante superiozando-se enquanto problema a todos os outros somados, não será de esquecer os mesmos.
O desordenamento urbano é no entanto uma questão que dificilmente será resolvida, esperamos apenas que atenuada. Restringir o trafego tanto pedestre quanto motor de algumas ruas, a uma pequena lista de utilizadores é uma proposta que já levei a assembleia municipal. O projecto acabou por ser chumbado sob o pretexto que a lista apresentada por mim era comum a todas as artérias em questão e nem assim tomava em atenção os residentes. O desespero dos conselheiros e vereadores municpais levou-os a acusar-me de propor uma lista formada por mim, alguns amigos. Houve quem fosse ao ridiculo extremo de sugerir que teria vendido algumas daquelas posições. Enfim...
Por fim, a merda tem que acabar! Esta medida por ser a mais populista será talvez a que maior apoio receberá. Apenas me recuso a fazer da merda canina a bandeira desta campanha por um codificação da circulação nos passeios da nossa capital. A solução mais fácil para erradicar de uma vez por todas este problema é, não o levantar de coimas para os infractores, mas quem não quiser apanhar os dejectos dos seus animais com a luvinha ou saco de plástico, poderá faze-lo com a boca. Imagino desde já uma campanha disuasora suportada em outdoors com fotografias desse mesmo castigo. Ponho pouca fé na reincidência deste crime após estas medidas.
Terminada que está a minha exposição sobre o assunto, espero ter tocado a sensibilidade de todos para que se evitem males maiores. Por favor subscrevam o abaixo assinado que começará a circular via e-mail e habilitem-se a uma Lisboa mais fluida.
Ainda no que toca a petições, por favor juntem-se à luta pelo direito a não adormecer durante o noticiário da SIC Noticias: Mário Crespo à Reforma!
Andava perdido. A minha auto-estima dobrava-me pela cintura e fazia cair os meus ombros para a frente como se andasse continuamente em busca de uma lente de contacto perdida entre as pedras da calçada que choravam as agruras lidas na minha face.
Certo dia estava eu no tribunal... Bem, suponho que convém explicar que desde há uns meses tenho vagueado pelas salas e corredores de tribunais à espera que me chamem a responder no caso Casa Pia. Não apanhei essa história desde o principio, mas desde que acompanho pouco ouvi falar em crimes e ganhei suspeitas que as criancinhas violadas são apenas uma fabricação destinada a encobrir a criação de uma lista composta por uma pequena franja de eleitos a embarcar numa arca de Noé, preparada para o momento em que este pais seja varrido por uma enxurrada da água toda que anda a meter. No outro dia o Jornal Nacional da TVI divulgou em primeira mão que Carlos Severino tinha no seu quarto uma série de fotografias em que aparecia rodeado de marinheiros. Tudo somado, bate certo e até o timoneiro parece estar escolhido (temo é que queira atracar de popa).
Mas isto é uma teoria da conspiração e o que nos traz aqui hoje é uma história de amor. Pois é... No meu estado de fragilidade da altura foi amor que fui encontrar numa das salas do tribunal. Não daquele amor que se sente pelo próximo e traz unidade universal. Não daquele amor que surge numa paixão irresistivel por uma mulher formidável (curvilinea, com duas grandes bossas e sempre de quatro, como os camelos). Não... este era mais o tipo de amor que parte de uma dedução lógica e se espalha pelo nosso ser, passando o coração sobre uma ponte. Entrei na sala de audiências no julgamento preliminar de uma prostituta (a ironia para quem de preliminares não costuma ver muito) e dei de caras com o que procurei toda uma vida. Ela era linda! Alta, vestia uma toga que não disfarçava uns peitos e um rabo bem firmes. Parecia um anjo. Inicialmente pensei que não tinha olhos para mim, mas vi que tinha um gosto por balanças o que reforçou o impeto da minha alma nascida sob os auspicios de Outubro. Descobri o seu profético nome junto de um oficial do tribunal: Justiça. Original, imponente, digno de uma deusa romana a que ela se assemelhava. Naquele periodo de fraqueza pessoal até me ocurreu que a venda sobre os olhos podia ser uma vantagem. Não só me sentia feio (estava certo que começava a ter tufos de cabelo a sair das orelhas e nariz e sentia uma verruga a nascer na ponta do nariz) como era certo que com uma pessoa que não vê, não se esgotaria o assunto. Se não fizesse uma observação interessante podia sempre ter interesse descrever o que observava.
Hoje, já com o espirito remendado, recordo-me com carinho da Justiça e sei que se a tenho conseguido arrancar da parede não seria agora um homem solteiro.
LEITORES,
farto de dar prioridade ao "Olá" e ao "Bom Dia", tomei a liberdade de na abertura deste blog lançar um post não introdutório. Apresento-me já depois de ter tomado a palavra. O post anterior nasceu em Novembro passado mas só agora aterrou nas páginas partilhadas internéticas. Quando levantou tomava rumo a muitomaislongequeaterra.blogspot.com mas foi desviado em pleno voo por piratas do ar de origem desconhecida, que depois o deixaram abandonado na Praia do Esquecimento (junto a umas barracas assim como quem vai para Fetais). O supra-mencionado blog foi raptado por plutonas (guerreiras de Plutão)e, segundo o que sei, serve agora de Constituição nos aneis de Saturno. Alguns fragmentos dos post nele fixados vão no entanto permitir-nos recuperar alguns dos seus conteúdos. A sua publicação deve suceder nas próximas semanas.
Não me querendo alongar muito nas explicações do inexplicável, até porque o efeito dos medicamentos começa a passar, este espaço será doravante dedicado a um acto de escrita totalmente masturbatório. Para além do aliciante cientifico de confirmar em trabalho de campo se o voyerismo é compensador para o "voyerado", não terá outro objectivo senão a própria satisfação de quem se encarrega de sujar de letras as páginas alvas deste template.
Criticas, sugestões e semelhantes podem envia-las para putaqvospariu@hotmail.com. Tenciono mudar este contacto brevemente mas por enquanto será o fiel depositário das vossas secreções mentais.
Termino desejando a todos quantos leiam o 3 ideias ( eu sei quem vocês são) um 2004 preenchido. Como repetiam as personagens de uma famosa pelicula holywoodesca:
"It's all happening!".