3 Ideias e um pouco mais a Sério
Friday, April 29, 2005
  Era mais fácil se mugisse como as vacas. Era mais simples falar como quem mastiga ou nesse mastigar fingir falar. Tudo mais claro se os olhos adormecidos me adornassem de fábrica e a cabeça baixa fosse só de expirrar na erva.

Ouvia...

E quanto mais ouvia falar mais me sentia essa vaca na hora de maior frenesim dos mosquitos. Imaginava laboriosamente como para tal zum zum seria preciso uma manada de insectos elefantescos num dia de agitação desusada.

Pena que as quatro paredes me começassem a sorver o oxigénio que de caminho vertical à minha cabeça soprava também estes lampejos de imaginação transportando-me para uma dimensão parelela.

E eles falavam como quem petisca de uma travessa imunda da qual nunca pareciam estar saciados. Consumiam o ar num processo contrário ao das plantas que de tal impeto devia ter posto toda a flora de sentinela.

Sendo o espaço e o tempo o mesmo em termos quânticos, e algumas palavras proferidas apenas ar, a matéria estaria naquele ponto sobrecarregada, á espera do momento em que, de um pulo, um buraco negro nascesse e nos sugasse a todos. E como os buracos negros afinal talvez não existam estariamos além de perdidos quiçá inexistentes.

Acordo.

Contrafeito, largo aos bochechos mão do papagaio em que passeava o pensamento e aterro pesadão no sofá donde todavia nunca desaparecera. Sorrio. Que se lixe... Se não podemos ser vacas nem particulas ameçadas pelo desaparecimento mais vale falar sobre o Papa, o Aborto ou o Mourinho. 
Quando não existe um motivo em especial para pensar

ARCHIVES
11/01/2003 - 12/01/2003 / 01/01/2004 - 02/01/2004 / 02/01/2004 - 03/01/2004 / 04/01/2005 - 05/01/2005 / 06/01/2006 - 07/01/2006 /


Powered by Blogger